Desenho adulto Super Drags é infantil

Apesar da classificação indicativa de 16 anos, que restringe a audiência do público infantil por conta de um conteúdo para maiores, o desenho Super Drags da Netflix não é nada de adulto. E se é para chocar, melhor ler até o fim desta análise sobre o desenho desenho gay que é infantil sim.


Quando começou a ser veiculado que a Netflix lançaria um desenho sobre drags, muitos começaram a polemizar por que não deveriam liberar um desenho para crianças mostrando como é o submundo gay com suas perversidades, barbaridades e tudo de ruim que preconceituosos acharam considerável julgar. Muitos caíram do cavalo por que a empresa informou que o desenho não era para crianças e sim para adultos. Ainda assim, parece que a informação entrou por um ouvido e saiu pelo cu.

Até dá para se entender por que burros não compreenderam a mensagem que Super Drags não é para crianças...

O anúncio da série da Netflix surgiu no período em que o Brasil pegava fogo com assuntos relacionados a homofobia, homossexualismo, identidade de gênero, pedofilia, aborto, morais da família e diversos assuntos que englobam o universo LGBTQ+ relacionados a crianças. Nesse contexto, a grande massa, composta em sua maioria por héteros de faixa-etária da década do bumba quando não existia nada além de falar mal da vida alheia, começaram a utilizar as redes sociais como entretenimento e na oportunidade, consumir desvairadamente enormes quantidades de fake news sem nem sequer colocar um pingo de discernimento para entender notícias sem lógicas e nem noção para ponderar seu mau uso de comunicação e interação social na internet. Isso explicaria o fato do aumento da polêmica em torno da veiculação do desenho: a ignorância em excesso frente ao que chamamos de conhecimento e bom senso. Mas ainda que essa massa tivesse esse nível de maturidade e inteligência, o desenho continuaria sendo impróprio para crianças.

Tendo dito e re-dito que o desenho gay da Netflix não é pra crianças, cá-entre-nós devemos admitir, o desenho Super Drags é infantil, sim, mas por demonstrar inexperiência e imaturidade em alguns aspectos que vamos falar a seguir.

A ideia central de três amigos gays que se montam para salvar o mundo do shade das inimigas não é ruim. Até mesmo por que é de se entender que a maioria dos adultos hoje, em sua infância gay, tiveram a convivência com o universo épico nas histórias de desenhos animados de cada época, mas pela forma que este projeto foi dissolvido para nós, dá pra perceber que ficou meio vago.


O texto ficou meio forçado, como que se quisesse colocar de uma só vez todos as palavras do dicionário Aurélia para mostrar o quanto o vocabulário gay é rico e se fazer entender de cara que é assim a vida e rotina das gay. Esse ritmo quase desenfreado do roteiro acabou atrapalhando a ideia inicial, principalmente no primeiro episódio, que deixa a gente assimilar na tora a história mal contada de como as personagens se tornaram super heroínas.

Talvez o grande erro tenha sido na produção do desenho animado em si, mas propriamente na hora da edição. Tem muitas cenas rápidas, que não deixam você ter uma completa assimilação do contexto e captar detalhes-chaves, trechos curtos para incluir as falas dos personagens o que acarretou num desdobramento por parte dos dubladores e a dublagem em si, que também deixou a desejar. Salvo as participações de Silvetty Montilla e Pabllo Vittar que de fato são drags. Ah, a personagem da vilã também teve bom desempenho. E por fim, a identidade de cada uma das personagens que precisamos comentar separadamente.

Lemon Chiffon é a drag do personagem Patrick. Ela tem o estilo mais mãezona, que cuida das amigas e tem o ímpeto de liderança e um grande coração, mas também é cobra quando tem que ser. Nada a criticar sobre essa diva. A dublagem é o melhor, uma voz mais masculinazinha para lembrar a gente sempre que ali se trata de um menino vestido de mulher. Já que por meio de ilustração não fique tão claro assim.


Já na Safira Cion, a drag pintosa do personagem Donny é nítida que se trata de um menino todo apertado dentro de uma roupa espalhafatosa de mulher. Donny é mais sonhador e bem menininha. Até demais, diga-se de passagem. A dublagem desta drag incomoda um pouco, por que a voz confunde bastante com timbre feminino. Por Donny ser mais fortinho e grande, acho que a voz poderia ser mais grave.

A Scallet Carmesimen é uma drag bem espalhafatosa, cobra do início ao fim. Que não tem papas na língua e que com certeza é beyhive/fenty. A dublagem do personagem Ramon é aceitável também. Mas por conta da edição, como dito anteriormente, muitas cenas deixam a desejar. A composição gráfica dela também não ficou boa. Enquanto as demais são bem coloridas, a Scallet é vermelho pra todo canto.


A ideia de fugir do clichê de associar a cor vermelha à personalidade de liderança desta vez poderia ter dado mais certo, mas como o nome da drag gordinha é Lemon, teria que ser reavaliado novamente. Mas não vamos entrar em desméritos em relação a escolha dos nomes.

Mas por que dizer que o desenho adulto Super Drags é infantil?

A composição da história em si deixa a desejar. A princípio é anunciado um desenho sobre drags. Daí você imagina que vai ver os personagens se montando e arrasando nas performances, porém são drags super heroínas que vão combater o mal e salvar o mundo. Ok, aí você imagina que vai ver elas em ação e haverá uma história coerente, mas na hora H, o que temos é uma confusão de ideias.

A direção tentou mostrar a realidade de garotos gays que trabalham numa loja de departamentos, se montam de drag e são fãs de música pop junto com o universo de eles serem espiãs que salvam o mundo sob o comando de Vedete, mas na hora da roteirização, isso não conseguiu ser bem aplicado, por conta dos motivos citados anteriormente: má edição e over exposição de gírias gays em situações que não cabiam e que só atrasaram o desenrolar da história.

Super Drags se assemelha ao desenho As Espiãs Demais no quesito composição do universo de espiãs, mas tem o humor de desenhos bobos como esses que nós provavelmente não assistimos por que né...? A grande diferença é que aqui tem nos chamado atenção por estar relacionado ao mundo gay, ter conteúdo adulto e envolver o mundo pop.


De fato, o desenho não é para crianças. A linguagem é imprópria, as cenas são impróprias, mas o conteúdo é tosco e infantil. O estilo besterol pode permear a vertente nerd com diversas referências a desenhos e filmes, como pode estar ligado a vertente jovem ligada a temas como drogas e sexo, mas neste caso, ficou direcionado a comédia pastelão mesclado com o universo gay. Facilmente seria aceito por crianças se não fosse a super exposição das denotações sexuais.


Mas se o desenho fosse só com conotações sexuais, não haveria problemas em diminuir a faixa classificativa. Visto que os desenhos de antigamente eram muito mais explícitos e nem por isso os adultos hoje são loucos ou qualquer coisa do tipo.

Super Drags da Netflix é ruim? NÃO! O gráfico do desenho é bom, as sacadas das piadas são boas, a ideia é genial, os personagens são bem desenvolvidos, o marketing em torno do desenho está impecável, porém as falhas são bem mais acentuadas que os acertos. Precisa ser analisado todos estes contras para na segunda temporada conseguir uma avaliação melhor.
Nota: 7,0
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